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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O Deus de todos e o Deus das religiões


Desde que apresentei um problema de saúde, há aproximadamente três ou quatro meses, tenho recebido constantes assédios de religiosos.
Há aquelas pessoas gentis, preocupadas, com um coração lindo e cheias de fé que oram por mim, que trazem palavras de conforto e carinho. São pessoas ótimas, que vale a pena conviver com elas.

Mas, por outro lado, há religiosos fanáticos que me procuram na tentativa de me levar para este ou aquele seguimento religioso. Essas pessoas atribuem a minha doença a obra do maligno, coisa do diabo, entre outras denominações. Afirmam que se eu seguir determinada religião serei curada.
Certas pessoas me visitaram e/ou ligaram para dizer que estou com macumba, que preciso "dar umas voltas", ou seja, ir a um centro espírita para desfazer o "trabalho".

Uma senhora chegou a dizer que preciso ir até um pai de santo que incorpora uma entidade capaz de revelar os remédios certos para a cura da minha doença. A entidade prescreve os medicamentos e o pai de santo se encarrega de manipulá-lo. Trata-se de raizes e ervas medicinais que são maceradas e engarrafadas para que o paciente tome por certo tempo.

Até cirurgias invisíveis me indicaram, dizem que são feitas por médiuns que incorporam o espírito de renomados médicos que já partiram (morreram há anos).

O mais absurdo, foi uma religiosa dizer que Deus havia revelado que uma pessoa bem próxima de mim é quem colocou essa doença em mim. Ela teve a coragem de dizer o nome da pessoa que, segundo a sua visão, colocou a doença em mim.
Gente, sinceramente, respeito todas as religiões, mas oportunismos em nome de Deus não funcionam comigo. É óbvio que certos religiosos se aproveitam do momento de fragilidade que a doença impõe para tentar fazer uma lavagem cerebral nas pessoas. Muitos, diante da momentânea fragilidade, acabam cedendo, mas eu não sou assim. Jamais perdi a razão, por mais difícil que seja o momento. Não sou uma "Maria vai com as outras", tenho personalidade e opinião formada quando o assunto é religião.

A minha única religião é Deus. A minha fé é muito grande, acredito muito nessa Força Divina que me direciona todos os dias. Faço do meu lar a minha igreja. Para mim, Deus e religião são coisas distintas, porque Deus é GRAÇA,  amor, liberalidade e está presente em todos os lugares, basta buscá-lo de coração aberto.

Como pode uma pessoa dizer que fulano de tal colocou uma doença em mim? Isso não é de Deus, trata-se apenas de oportunismo para semear a discórdia. Nesse caso, não vai haver discórdia porque não sou como os incaltos que absorvem cada palavra de seus ministros e obreiros como se fosse uma verdade absoluta.

A única verdade que sei é que o ser humano transformou Jesus Cristo em uma mercadoria muito cara. O fator econômico-financeiro entra em primeiro lugar e, muitos incaltos são arrebanhados todos os dias, pois a dor, o vazio e a falta de esperança são perfeitamente preenchidos em um ambiente religioso que busca tocar bem fundo o lado emocional de cada pessoa. E, no meio de tantos fiéis, qualquer um se sente bem acolhido, confortado, bem amado. É uma espécie de terapia.

Deus fez tudo perfeito, Ele não nos criou para vivermos nesse mundo para sempre. Todos nascem, vivem muito ou pouco, constróem muito ou nada e depois morrem. Sempre foi assim e continuará desta forma. A vida acaba e se renova todos os dias.
Todo ser vivo está sujeito a doenças e todo ser vivo um dia morrerá. Tudo que vive e respira está sujeito a doenças e acabará um dia.

O ser humano adoece, as plantas e os animais adoecem e do mesmo modo, todos morrem.

O problema é que ninguém quer adoecer e morrer. Todo ser humano quer fugir de sofrimentos.
Pois bem, não sou diferente de nenhum ser que vive e respira. Portanto, estou sujeita a doenças, mesmo que eu não queira.
É evidente que quero ficar curada, estou lutando para isso. A minha fé em Deus sempre foi grande, converso com Ele todos os dias ao me levantar e ao me deitar. Além dessa Força que se manifesta por meio da minha fé, busco também os profissionais da medicina que, ao meu ver, são homens iluminados por Ele, para auxiliar na cura, bem como amenizar as nossas dores físicas.

O dia em que o ser humano se conscientizar que todos somos presentes emprestados por Deus e que um dia teremos que ser devolvidos (porque empréstimos requer devolução sempre), os dramas em torno da vida e morte perderão importância.

A bem pouco tempo, não conhecia nenhum ateu, hoje, convivo com várias pessoas que se declaram abertamente ateus. Isso se deve ao fato de determinadas pessoas desvirtuarem a palavra de Deus, apresentado absurdos que não combinam em nada com o Divino.
Muitos afirmam que religião é coisa de gente ignorante, não acho que seja. A ignorância aqui está relacionada com a pobreza e falta de instrução. Tal afirmação não procede porque existem muitos doutores ignorantes, diplomas e títulos não quer dizer nada. Como dizia o meu avô "existe muitos burros carregados de livros".
Muitos estão desacreditados, outros se dizem evangélicos, espíritas, católicos, dentre outras religiões, mas não vão a igreja, não são praticantes. Acho que a tendência é que cada vez mais pessoas fujam desse oportunismo religioso e façam de seus lares uma igreja, ou seja "onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, ali estarei" (Mateus, 18,20).

Sei que existem pessoas sérias, comprometidas com a palavra de Deus em todos os seguimentos religiosos, mas determinados religiosos deveriam pensar mil vezes antes de abrir a boca, é triste.
Espero que diante desse desabafo, vocês entendam porque meus telefones estão sempre desligados. Ouvir asneiras demais, sufoca.

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